Desde tempos remotos que os rios têm sido importantes não apenas para
a conexão entre civilizações, mas, também contribuíram para o
surgimento, às suas margens, de várias delas. Por estas vias fluviais
entrou o branco invasor, que encontrou e conquistou as civilizações
ameríndias. Civilizações que ainda hoje despertam muita curiosidade
aos estudiosos, pela sua cerâmica, pelos seus templos no relevo
andino, pelo conhecimento que já possuíam e muitas outras
características igualmente interessantes.
Vivemos em uma região com a maior bacia hidrográfica e o maior rio do
planeta. E apesar disso, ainda nos surpreendemos com as proporções a
que chegam os rios desta bacia, quando é época das cheias. Nossos
antepassados também conviveram com elas, e da mesma forma tomaram
muitas lições. A ciência vêm procurando estudar os rios pelo enfoque
da geologia, da geomorfologia, da hidrologia, da hidrografia, da
limnologia etc. Desde os altiplanos peruanos até a sua foz, o rio
Amazonas continua sendo um mestre na arte de ensinar. Uma destas
lições ele nos mostra pelo menos uma vez por ano: seu volume d'água.
Visto pelos engenheiros como um importante meio de geração de energia
elétrica. De fato, é um volume muito grande que assim como em outros
tempos, nesta última década vêm de novo mostrando sua força. E também
reforçando a lição que não pode ser represado. Basta olhar como ficam
as suas margens quando ele está cheio, imagine como ficariam se fosse
represado? É o maior rio do mundo, não deve ser subestimado.
A hidrologia nos explica que não é apenas água que o rio está
transportando. Embora seja isso o que mais nos é visível e de
fundamental importância para o ciclo hidrológico. O rio perde água
pelo escoamento, pela infiltração e pela evaporação, contribuindo
desta forma para o ciclo da água. Mas, além disso, o rio e toda a sua
bacia também transportam sedimentos, desempenhando a tarefa que
segundo Filizola (2003) é transportar para os oceanos a matéria
sublevada dos continentes, constituindo-se também preponderantes para
a manutenção do ciclo dos elementos.
Filizola (2003), considera que "os rios respondem muito rápido às
condições do meio existente na superfície dos continentes, em alguns
meses para o caso do transporte em solução, e em alguns anos para o
caso do transporte em suspensão. Portanto, são particularmente
sensíveis à toda mudança, seja ela climática ou resultante de
atividades humanas (antropismo)". Esta é outra lição que não pode ser
esquecida. A erosão, transporte e deposição que resultam dos trabalhos
dos rios, contribuem não apenas para a modelagem da paisagem, mas,
transferem importantes nutrientes para vários pontos de seu percurso
até o oceano. Estes nutrientes, por onde passarem, até mesmo quando
alcançarem o oceano, levarão consigo a possibilidade da manutenção da
ictiofauna e das espécies marinhas.
Na nossa região não é diferente. Toda vez que a cheia acontece, inunda
margens e sobre elas deposita uma nova carga de nutrientes. Alcança
lagos e outros cursos d'água transferindo vários nutrientes de um
ambiente para outro.
São breves lições que o rio insiste em nos mostrar, mas essenciais
para lembrar o que já foi decantado numa toada: " a vida depende da
vida para sobreviver".
sexta-feira, 6 de julho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Outros aspectos relacionados às cheias dos rios
A cheia no ano de 2012 no Alto Solimões, que já apresenta sinal de
recuo, ultrapassou a de 2009, atingindo níveis que ficam atrás apenas
da cheia de 1999, esta ainda considerada a maior, desde que se
começaram os registros do regime do rio, na cidade de Tabatinga.
A seca sucede o período da cheia e também é resultado das
precipitações que ficam menos freqüentes e menos intensas. A população
ribeirinha e grande parte das cidades dependem fundamentalmente das
condições do tempo e do clima na região Amazônica, fatores que se
constituem preponderantes para a organização, para a produção e o
desenvolvimento local. Você procurou algum produto regional neste
período de cheia e não encontrou ? Este é um lado da cheia que por
atingir diretamente nossos interesses, talvez nos incline a vê-la como
vilã.
Apesar das nossas atenções estarem mais voltadas para acompanhar as
situações que envolvem o homem, as árvores, os animais, desde os
diminutos invertebrados, até os peixes, anfíbios, répteis e mamíferos
ao longo de muitas gerações também desenvolveram adaptações incríveis
para poder viver nessas áreas inundadas. Vastas extensões de florestas
são invadidas anualmente pelas águas dos rios inundando uma área
correspondente a 2% do total de florestas da Amazônia.
O relevo da região está dividido em Terra Firme (áreas não
inundáveis), Várzea (periodicamente inundadas) e Igapó
(permanentemente inundada). Apesar de ficar inundada até 10m de
profundidade durante 5 a 7 meses por ano, a vegetação do igapó mantêm
sua exuberância. Como a maioria das árvores da várzea frutifica
durante as inundações, para um grande número de espécies,
principalmente os peixes, o igapó torna-se uma abundante fonte de
alimentos. Esta é uma situação muito diferente de qualquer outra parte
do mundo, pois estes frutos e sementes que caem nos igapós serão os
principais alimentos de cerca de 200 espécies de peixes da Amazônia,
que visitam esta parte da floresta todos os anos.
Os rios amazônicos, com suas praias, restingas, igarapés, matas
inundadas, lagos de várzea e matupás, nome dado a ilhas de vegetação
aquática, e o estuário, são colonizados por uma enorme diversidade de
plantas e animais. As várzeas recebem uma nova quantidade de
nutrientes, renovando-se para atender o ribeirinho que irá procurá-la
para plantar quando as águas baixarem. As praias e os diques marginais
terão sido acrescidos de uma maior quantidade de sedimentos, que ao
longo de 30 a 40 anos serão suficientes para transformar praias em
ilhas.
Outras cheias virão e apesar dos contratempos que estas últimas têm
provocado, elas são necessárias para a renovação de muitas outras
espécies, que por fim contribuíram para a nossa própria subsistência.
recuo, ultrapassou a de 2009, atingindo níveis que ficam atrás apenas
da cheia de 1999, esta ainda considerada a maior, desde que se
começaram os registros do regime do rio, na cidade de Tabatinga.
A seca sucede o período da cheia e também é resultado das
precipitações que ficam menos freqüentes e menos intensas. A população
ribeirinha e grande parte das cidades dependem fundamentalmente das
condições do tempo e do clima na região Amazônica, fatores que se
constituem preponderantes para a organização, para a produção e o
desenvolvimento local. Você procurou algum produto regional neste
período de cheia e não encontrou ? Este é um lado da cheia que por
atingir diretamente nossos interesses, talvez nos incline a vê-la como
vilã.
Apesar das nossas atenções estarem mais voltadas para acompanhar as
situações que envolvem o homem, as árvores, os animais, desde os
diminutos invertebrados, até os peixes, anfíbios, répteis e mamíferos
ao longo de muitas gerações também desenvolveram adaptações incríveis
para poder viver nessas áreas inundadas. Vastas extensões de florestas
são invadidas anualmente pelas águas dos rios inundando uma área
correspondente a 2% do total de florestas da Amazônia.
O relevo da região está dividido em Terra Firme (áreas não
inundáveis), Várzea (periodicamente inundadas) e Igapó
(permanentemente inundada). Apesar de ficar inundada até 10m de
profundidade durante 5 a 7 meses por ano, a vegetação do igapó mantêm
sua exuberância. Como a maioria das árvores da várzea frutifica
durante as inundações, para um grande número de espécies,
principalmente os peixes, o igapó torna-se uma abundante fonte de
alimentos. Esta é uma situação muito diferente de qualquer outra parte
do mundo, pois estes frutos e sementes que caem nos igapós serão os
principais alimentos de cerca de 200 espécies de peixes da Amazônia,
que visitam esta parte da floresta todos os anos.
Os rios amazônicos, com suas praias, restingas, igarapés, matas
inundadas, lagos de várzea e matupás, nome dado a ilhas de vegetação
aquática, e o estuário, são colonizados por uma enorme diversidade de
plantas e animais. As várzeas recebem uma nova quantidade de
nutrientes, renovando-se para atender o ribeirinho que irá procurá-la
para plantar quando as águas baixarem. As praias e os diques marginais
terão sido acrescidos de uma maior quantidade de sedimentos, que ao
longo de 30 a 40 anos serão suficientes para transformar praias em
ilhas.
Outras cheias virão e apesar dos contratempos que estas últimas têm
provocado, elas são necessárias para a renovação de muitas outras
espécies, que por fim contribuíram para a nossa própria subsistência.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Dissertação de Mestrado de Paulo Almeida
Compreender como ocorre determinada ocupação e organização do espaço
pelo homem nos impõe o desafio da redução ou restrição, sem perder de
vista o conjunto de complexidades que envolve a questão ambiental.
Para isso, é preciso levar em consideração as especificidades das
ocupações e as condições naturais do ambiente, observando em que
contexto histórico ocorrem, quais os tipos de degradação ambiental que
já são visíveis e de que forma o poder público responde no atendimento
de necessidades que surgem em áreas onde ocorrem tais fenômenos, como
é o caso do Porto das Catraias, área estudada em Tabatinga (AM). A
base teórica desta pesquisa foi fundamentada em alguns princípios da
Teoria Geral dos Sistemas, proposta por Bertalanffy, no conceito de
paisagem e na observação dos fatores selecionados, que se constituíam
tanto de elementos físicos, que nos possibilitaram examinar a
caracterização física geomorfológica e biogeográfica, como também
daqueles elementos que evidenciavam efeitos das ações humanas,
buscando retratar como ocorre a ocupação e a organização do espaço
pelo homem, possibilitando a compreensão dos padrões intrincados
nessas interrelações que caracterizam paisagísticamente uma
determinada área. Este estudo analisou como vem ocorrendo a construção
paisagística do Porto das Catraias, considerando seus vários momentos
e seus aspectos históricos e ambientais, identificando as principais
relações sociais e naturais que ocorrem nesta área e em seu entorno.
Veja mais detalhes desta dissertação de Paulo Almeida em:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-08052012-123707/pt-br.php
pelo homem nos impõe o desafio da redução ou restrição, sem perder de
vista o conjunto de complexidades que envolve a questão ambiental.
Para isso, é preciso levar em consideração as especificidades das
ocupações e as condições naturais do ambiente, observando em que
contexto histórico ocorrem, quais os tipos de degradação ambiental que
já são visíveis e de que forma o poder público responde no atendimento
de necessidades que surgem em áreas onde ocorrem tais fenômenos, como
é o caso do Porto das Catraias, área estudada em Tabatinga (AM). A
base teórica desta pesquisa foi fundamentada em alguns princípios da
Teoria Geral dos Sistemas, proposta por Bertalanffy, no conceito de
paisagem e na observação dos fatores selecionados, que se constituíam
tanto de elementos físicos, que nos possibilitaram examinar a
caracterização física geomorfológica e biogeográfica, como também
daqueles elementos que evidenciavam efeitos das ações humanas,
buscando retratar como ocorre a ocupação e a organização do espaço
pelo homem, possibilitando a compreensão dos padrões intrincados
nessas interrelações que caracterizam paisagísticamente uma
determinada área. Este estudo analisou como vem ocorrendo a construção
paisagística do Porto das Catraias, considerando seus vários momentos
e seus aspectos históricos e ambientais, identificando as principais
relações sociais e naturais que ocorrem nesta área e em seu entorno.
Veja mais detalhes desta dissertação de Paulo Almeida em:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-08052012-123707/pt-br.php
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