A cheia no ano de 2012 no Alto Solimões, que já apresenta sinal de
recuo, ultrapassou a de 2009, atingindo níveis que ficam atrás apenas
da cheia de 1999, esta ainda considerada a maior, desde que se
começaram os registros do regime do rio, na cidade de Tabatinga.
A seca sucede o período da cheia e também é resultado das
precipitações que ficam menos freqüentes e menos intensas. A população
ribeirinha e grande parte das cidades dependem fundamentalmente das
condições do tempo e do clima na região Amazônica, fatores que se
constituem preponderantes para a organização, para a produção e o
desenvolvimento local. Você procurou algum produto regional neste
período de cheia e não encontrou ? Este é um lado da cheia que por
atingir diretamente nossos interesses, talvez nos incline a vê-la como
vilã.
Apesar das nossas atenções estarem mais voltadas para acompanhar as
situações que envolvem o homem, as árvores, os animais, desde os
diminutos invertebrados, até os peixes, anfíbios, répteis e mamíferos
ao longo de muitas gerações também desenvolveram adaptações incríveis
para poder viver nessas áreas inundadas. Vastas extensões de florestas
são invadidas anualmente pelas águas dos rios inundando uma área
correspondente a 2% do total de florestas da Amazônia.
O relevo da região está dividido em Terra Firme (áreas não
inundáveis), Várzea (periodicamente inundadas) e Igapó
(permanentemente inundada). Apesar de ficar inundada até 10m de
profundidade durante 5 a 7 meses por ano, a vegetação do igapó mantêm
sua exuberância. Como a maioria das árvores da várzea frutifica
durante as inundações, para um grande número de espécies,
principalmente os peixes, o igapó torna-se uma abundante fonte de
alimentos. Esta é uma situação muito diferente de qualquer outra parte
do mundo, pois estes frutos e sementes que caem nos igapós serão os
principais alimentos de cerca de 200 espécies de peixes da Amazônia,
que visitam esta parte da floresta todos os anos.
Os rios amazônicos, com suas praias, restingas, igarapés, matas
inundadas, lagos de várzea e matupás, nome dado a ilhas de vegetação
aquática, e o estuário, são colonizados por uma enorme diversidade de
plantas e animais. As várzeas recebem uma nova quantidade de
nutrientes, renovando-se para atender o ribeirinho que irá procurá-la
para plantar quando as águas baixarem. As praias e os diques marginais
terão sido acrescidos de uma maior quantidade de sedimentos, que ao
longo de 30 a 40 anos serão suficientes para transformar praias em
ilhas.
Outras cheias virão e apesar dos contratempos que estas últimas têm
provocado, elas são necessárias para a renovação de muitas outras
espécies, que por fim contribuíram para a nossa própria subsistência.
terça-feira, 29 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Dissertação de Mestrado de Paulo Almeida
Compreender como ocorre determinada ocupação e organização do espaço
pelo homem nos impõe o desafio da redução ou restrição, sem perder de
vista o conjunto de complexidades que envolve a questão ambiental.
Para isso, é preciso levar em consideração as especificidades das
ocupações e as condições naturais do ambiente, observando em que
contexto histórico ocorrem, quais os tipos de degradação ambiental que
já são visíveis e de que forma o poder público responde no atendimento
de necessidades que surgem em áreas onde ocorrem tais fenômenos, como
é o caso do Porto das Catraias, área estudada em Tabatinga (AM). A
base teórica desta pesquisa foi fundamentada em alguns princípios da
Teoria Geral dos Sistemas, proposta por Bertalanffy, no conceito de
paisagem e na observação dos fatores selecionados, que se constituíam
tanto de elementos físicos, que nos possibilitaram examinar a
caracterização física geomorfológica e biogeográfica, como também
daqueles elementos que evidenciavam efeitos das ações humanas,
buscando retratar como ocorre a ocupação e a organização do espaço
pelo homem, possibilitando a compreensão dos padrões intrincados
nessas interrelações que caracterizam paisagísticamente uma
determinada área. Este estudo analisou como vem ocorrendo a construção
paisagística do Porto das Catraias, considerando seus vários momentos
e seus aspectos históricos e ambientais, identificando as principais
relações sociais e naturais que ocorrem nesta área e em seu entorno.
Veja mais detalhes desta dissertação de Paulo Almeida em:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-08052012-123707/pt-br.php
pelo homem nos impõe o desafio da redução ou restrição, sem perder de
vista o conjunto de complexidades que envolve a questão ambiental.
Para isso, é preciso levar em consideração as especificidades das
ocupações e as condições naturais do ambiente, observando em que
contexto histórico ocorrem, quais os tipos de degradação ambiental que
já são visíveis e de que forma o poder público responde no atendimento
de necessidades que surgem em áreas onde ocorrem tais fenômenos, como
é o caso do Porto das Catraias, área estudada em Tabatinga (AM). A
base teórica desta pesquisa foi fundamentada em alguns princípios da
Teoria Geral dos Sistemas, proposta por Bertalanffy, no conceito de
paisagem e na observação dos fatores selecionados, que se constituíam
tanto de elementos físicos, que nos possibilitaram examinar a
caracterização física geomorfológica e biogeográfica, como também
daqueles elementos que evidenciavam efeitos das ações humanas,
buscando retratar como ocorre a ocupação e a organização do espaço
pelo homem, possibilitando a compreensão dos padrões intrincados
nessas interrelações que caracterizam paisagísticamente uma
determinada área. Este estudo analisou como vem ocorrendo a construção
paisagística do Porto das Catraias, considerando seus vários momentos
e seus aspectos históricos e ambientais, identificando as principais
relações sociais e naturais que ocorrem nesta área e em seu entorno.
Veja mais detalhes desta dissertação de Paulo Almeida em:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-08052012-123707/pt-br.php
sábado, 28 de abril de 2012
Um outro aspecto fluvial: a cheia
Para
a Geomorfologia, no sentido geral, um rio é um curso de água doce natural, com
canal definido e fluxo permanente ou sazonal, que deságua em um outro rio, no
mar ou em um lago. Ele recebe água pelo escoamento superficial e pelo
escoamento de base, e perde pela evaporação. No regime fluvial, que resulta da
oscilação da quantidade de água presente em um rio no decorrer de um ano,
destacam-se dois períodos: de vazante e de cheia, que coincidem com o período
de menos chuvas e com o período mais chuvoso, respectivamente. No caso do rio
Amazonas, denominado Solimões a partir da divisa entre Peru e Brasil até a
confluência com o rio Negro, a cheia ainda conta com uma pequena contribuição
nival, que ocorre pelo degelo a montante. Por isso, admite-se que o regime de
cheia do Solimões, tem contribuição plúvio-nival.
Esta
região, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) 1ºDISME
(Distrito de Meteorologia), apresenta a seguinte sazonalidade: os meses que
chovem mais são dezembro, janeiro, fevereiro e março, período considerado como
inverno, ou seja, o mais chuvoso e; aqueles que chovem menos são junho, julho,
agosto e setembro, período conhecido como verão, quer dizer, quase sem chuvas.
Os meses de abril, maio, outubro e novembro, formam o que pode ser entendido
como período intermediário. Dependendo do volume de água, o rio apresenta um
leito menor, quando está no período de vazante e um leito maior, que é ocupado
no período de cheia. A largura do rio Solimões/Amazonas alcança até 15 km, como
ocorre na confluência com o Tapajós. Como boa parte das margens são várzeas, e
por ser assim, são áreas inundáveis, sua largura pode atingir até 100 km, o que
representa uma área inundada do tamanho da Inglaterra, ou seja, 130.439 km². A
profundidade, que varia entre 50 a 100 m, considerada sua maior profundidade e
localizada no estreito de Óbidos, é alterada entre 10 e 15 metros.
A
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais( CPRM) anunciou que o rio Negro
deverá chegar a marca de 29,60 m de profundidade em média, até o mês de junho.
O encarregado do Serviço Hidrográfico do Porto de Manaus, Valderino Pereira da
Silva, 63, anunciou que o nível da cheia do rio Negro subiu mais 5 cm, de
quarta-feira para quinta (29/03). Ele enfatizou que nesta mesma data no ano de
2009, o nível era de 27,35 m, e neste ano, na mesma data já atingiu 27,60 m. O
relatório final da CPRM aponta que o fenômeno da cheia do sistema
Negro/Solimões referente ao ano hidrológico 2008/2009, alcançou 29,77 m,
constituindo-se a maior marca dos últimos 107 anos. A média das máximas,
observadas desde 1902 no Roadway (Porto de Manaus) historicamente tem sido
27,80 m, com desvio padrão de 1,14 m.
A
Defesa Civil aponta que já são 81 famílias atingidas pela enchente no bairro
Guadalupe, oeste da cidade de Tabatinga, e também orientou que a secretaria de
educação deste município suspenda as aulas de 24 comunidades. A orientação foi
acatada e cerca de 3 mil alunos tiveram suas aulas suspensas para afastar o
risco de afogamentos. As pessoas que têm familiares naquelas comunidades
localizadas em terra firme estão se mudando, para evitar uma perda maior.
As
autoridades já se mobilizam para atender aquelas localidades com pior situação.
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho sobrevou algumas
destas áreas afetadas. O governo federal publicou portaria concedendo 8 milhões
de reais, que somados aos 6 milhões de reais do Programa Cartão Amazonas
Social, do governo do estado, espera-se atender as pessoas em situação de
risco. Para o Alto Solimões, a ajuda está sendo organizada pelo Sub-Comando de
Ações da Defesa Civil do Estado do Amazonas (Subcomandec). “Estamos
providenciando a logística para atender os municípios do Alto Solimões,
afetados pela cheia”, afirmou Hermógenes Rabelo, secretário adjunto da Defesa
Civil do Estado do Amazonas.
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